A família de volta ao poder

30 maio

“Um país sem uma universidade forte abriu mão de sua própria dignidade, da capacidade de ditar seu próprio destino” Renato Ortz (Sociólogo e antropólogo da UNICAMP).

Esta frase foi uma resposta do sociólogo da Universidade de Campinas para explicar em 2002 à revista online Acadêmicos, a “sucateação” de universidades públicas paranaenses, que naquele período encontravam-se em greve, reivindicando salários atrasados dos professores. Situação cada vez mais comum no Brasil até os dias de hoje, não apenas no âmbito universitário, mas também em escolas públicas de ensino fundamental e médio.

Os professores, além de mal remunerados, estão quase sempre presos ao programa escolar do governo, ao qual não podem contestar apenas transmitir segundo ordens vindas de cima. Do ensino infantil ao médio as crianças e jovens brasileiros não são estimulados a pensar e contestar, apenas a decorar, obedecer e aceitar. Creio que a desarticulação social, causa da miséria, degradação da educação publica e do sistema de saúde público é resultado lastimável de vários anos de negligência para com a educação. Na Constituição brasileira ela é citada como um direito do cidadão, tal como a saúde e moradia. Na prática é de suma importância para gerar dignidade ao homem, capacidade de decidir seu próprio destino. Porque a educação não é levada a sério pelos governantes brasileiros? Por que se fosse, eles não estariam mais no poder.

No dia 22 de maio de 2012 o jornal online do Estadão publicou uma entrevista com o senhor José Pacheco, educador português que desenvolveu um método de ensino autônomo, desconstruindo a sala de aula tradicional. Ele é o criador do novo método da escola da Ponte. Nesse sistema o aluno escolhe o que ele quer aprender hoje, e dedica-se a pesquisar sobre aquele assunto. As crianças estudam em mesas de grupo e uma ajuda a outra, se houver necessidade a professora é solicitada por alguma criança, mas está lá para orientar somente. Quando chega a época de avaliação, a criança diz à professora que se sente pronta para testar seus conhecimentos.

Questionado pela reportagem do Estadão se existe no Brasil mais abertura hoje para projetos que desconstroem a escola tradicional, como a Escola da Ponte ou a Educação Ativa, ele respondeu: “existe abertura por parte de educadores atentos à tragédia educacional brasileira. Há dados que mostram que há alunos que chegam ao ensino médio analfabetos ou incapazes de fazer uma interpretação de texto”. (SIC) Uma triste, porém real constatação.

O fato é que o Brasil só se desenvolverá quando passar a investir na qualidade de vida do povo e numa boa educação caso contrário a sociedade mais ativa do que nunca, graças ao alto acesso a informação pela internet, vai tomar suas atitudes.

É o que já acontece, um movimento de pais brasileiros que para poupar seus filhos da violência física e psicológica nas escolas, decidiram desafiar o Conselho Tutelar, e tirar definitivamente seus pequenos da sala de aula tradicional para ensiná-los em casa. Nasce assim no Brasil a adesão ao Ensino Domiciliar: estima-se que mais ou menos 1000 famílias brasileiras façam parte dessa prática, comum em países do hemisfério norte e Europa. Segundo dados fornecidos pela ANED (Associação Nacional de Ensino Domiciliar).

O princípio do estudo em casa consiste em os pais ensinar os filhos a ler e escrever, após isso eles ensinam três elementos básicos: lógica, argumentação e aritmética, cujos quais habilitam as crianças a aprender qualquer coisa.

O medo dos governantes de haver pessoas mais esclarecidas e inteligentes em nosso país é tão grande que esses pais são perseguidos pelo Ministério Público e Conselho Tutelar, acusados de abandono intelectual.

O curioso é que o Estado brasileiro abandonou intelectualmente seu povo desde que destinou a “boa” educação para a elite, enquanto isso é um direito de todos. Com uma futura geração de pensadores e contestadores cursando uma academia de ponta, nossos governantes viverão com a corda no pescoço, para tirar dinheiro dos bolsos e reverter os impostos da população em saneamento básico adequado, educação de qualidade e tratamento de saúde pública digno. Coitados!

Ká Sant’Ana

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